O câncer de mama representa, atualmente, um dos maiores desafios da saúde pública, sendo a neoplasia de maior incidência e mortalidade entre mulheres no Brasil, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2025). A radioterapia, reconhecida como um dos pilares fundamentais do tratamento oncológico, utiliza tecnologias de alta precisão para destruir células tumorais e preservar tecidos saudáveis. “No entanto, a complexidade técnica desse ambiente, marcado por aceleradores lineares, protocolos rígidos e salas blindadas frequentemente desloca o aspecto emocional da paciente para um segundo plano” (Ganzer et al., 2017, p. 3645).
Essa realidade evidencia uma lacuna importante: embora os avanços tecnológicos tenham ampliado a eficácia clínica, o atendimento ainda se estrutura sob uma lógica predominantemente biomédica e tecnicista, que concentra o foco no tumor e negligencia a subjetividade da mulher. O medo das radiações invisíveis, a ansiedade diante da imponência dos equipamentos e o trauma da exposição física constante da mama são exemplos de impactos psicossociais que, muitas vezes, não recebem a devida atenção (Silva, 2024).
Nesse contexto, a Política Nacional de Humanização (PNH) surge como referência para repensar práticas assistenciais, propondo que a qualidade do cuidado esteja vinculada não apenas à tecnologia, mas também ao acolhimento e à comunicação assertiva. A integração entre técnica e sensibilidade torna-se, portanto, indispensável para garantir adesão ao tratamento, reduzir índices de estresse e preservar a dignidade do paciente (Oliveira, 2025).
Este artigo propõe-se a analisar como protocolos de acolhimento humanizado podem atenuar os danos psicológicos em mulheres diagnosticadas com câncer de mama, destacando o papel da comunicação e do suporte emocional como ferramentas clínicas centrais. Ao consolidar evidências de bases como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Política Nacional de Humanização (PNH), busca-se oferecer diretrizes que transformem a radioterapia em uma experiência de cura integral, onde a eliminação da patologia caminhe lado a lado com a preservação da integridade psíquica e social da paciente.
O objetivo foi analisar de que forma práticas de acolhimento humanizado, fundamentadas na PNH, podem contribuir para a redução dos impactos psicológicos em mulheres submetidas à radioterapia no tratamento do câncer de mama.