Os resultados obtidos no presente trabalho permitem uma análise articulada entre as necessidades técnicas identificadas na prática radiológica e as soluções de projeto propostas para o acessório de inclinação, à luz do referencial teórico adotado.
A identificação dos exames contrastados que exigem inclinação da mesa e de seus respectivos ângulos revelou uma demanda técnica concreta e recorrente nos serviços de imagem. Bontrager (2015) e Long et al. (2016) são categóricos ao afirmar que procedimentos como o Enema Opaco, a Urografia Excretora e a Histerossalpingografia (HSG) requerem variações angulares nos sentidos cefálico e caudal para a adequada distribuição do meio de contraste e a obtenção de incidências diagnósticas satisfatórias. O Trânsito Esofagogastroduodenal (TEGD), o Esofagograma, a Uretrocistografia Miccional e a Fistulografia igualmente demandam essa capacidade de angulação em etapas específicas de sua execução, conforme descrito nos protocolos de Amaral e Mello (2021) e Paula (2020). A faixa angular de 15 a 45 identificada nos resultados está, portanto, diretamente fundamentada nesses protocolos e reflete com precisão a amplitude de angulação exigida pela totalidade dos exames contemplados, validando a abrangência do acessório projetado.
No que diz respeito às especificações técnicas, a escolha da madeira como material construtivo do acessório mostrou-se tecnicamente coerente com os requisitos do ambiente radiológico. A radiotransparência da madeira, decorrente de sua baixa densidade e composição orgânica, assegura que o dispositivo não interfira na formação da imagem radiológica nem gere artefatos que comprometam a qualidade diagnóstica, aspecto amplamente valorizado por Bontrager (2015) ao tratar dos critérios de seleção de acessórios de posicionamento. Além disso, suas características de baixo custo, disponibilidade e facilidade de usinagem tornam o dispositivo uma solução acessível para serviços de diferentes portes, em consonância com o perfil das unidades identificadas no levantamento realizado. A adoção do redutor mecânico como mecanismo de inclinação representa uma escolha técnica que compatibiliza precisão angular e segurança operacional sem recorrer à motorização elétrica. Esse princípio mecânico, ao converter o movimento de entrada em uma saída com menor velocidade e maior torque, permite ao técnico em radiologia controlar a inclinação com reduzido esforço físico, alinhando-se à perspectiva ergonômica defendida pelos estudos sobre riscos ocupacionais em radiologia (RADIOLOGIA BRASILEIRA, 2005; SABER HUMANO, 2022), que apontam o esforço físico excessivo como um dos principais fatores de risco à saúde do trabalhador.
O levantamento das mesas radiológicas existentes nos serviços confirmou a predominância de equipamentos convencionais fixos, sem mecanismo motorizado de inclinação, especialmente em unidades de menor porte. Esse cenário, já apontado por Paula (2020) como uma realidade frequente na rede de serviços de imagem brasileira, reforça a pertinência do projeto desenvolvido e justifica a opção por um acessório de acoplamento externo como solução de ampla aplicabilidade. A variação nas dimensões das mesas identificadas durante o levantamento constituiu uma das principais dificuldades do projeto, uma vez que não há padronização universal entre os diferentes fabricantes. Essa limitação foi endereçada por meio da incorporação de sistema de ajuste nas especificações do acessório, em consonância com a orientação de Long et al. (2016) de que dispositivos de apoio ao posicionamento devem ser versáteis o suficiente para atender às variações estruturais dos diferentes ambientes de trabalho em radiologia.
Os requisitos de segurança e proteção radiológica incorporados ao projeto dialogam diretamente com as diretrizes normativas vigentes. A presença de apoios laterais, o mecanismo de travamento angular proporcionado pelo redutor mecânico, a superfície de contato antiderrapante e a compatibilidade com as dimensões padrão das mesas foram concebidos de modo a garantir a estabilidade do paciente durante a inclinação, minimizando riscos de queda ou deslocamento involuntário. Essa preocupação encontra respaldo tanto na Portaria do Ministério da Saúde (MS) n 453/1998 e na Norma Regulamentadora n 32 (NR-32), instituída pela Portaria n 485/2005, quanto nas boas práticas de posicionamento descritas por Bontrager (2015) e Long et al. (2016). Amaral e Mello (2021) reforçam esse ponto ao destacar que a segurança do paciente durante exames contrastados é responsabilidade direta do técnico em radiologia, o que torna imprescindível que os dispositivos utilizados ofereçam condições estruturais adequadas para sua proteção.
Por fim, reconhece-se como limitação central do presente estudo a ausência de um protótipo físico para validação das especificações propostas. Embora o projeto técnico desenvolvido esteja fundamentado em referencial teórico consolidado e em dados coletados diretamente nos serviços, a construção e o teste do dispositivo em condições reais de uso constituem etapas indispensáveis para a validação definitiva do acessório, sendo recomendadas como desdobramento natural deste trabalho em estudos futuros.