Os transtornos psiquiátricos representam um importante desafio para a saúde pública mundial, impactando diretamente a qualidade de vida, as relações sociais e a funcionalidade dos indivíduos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). Historicamente, essas condições foram negligenciadas pela sociedade e, no Brasil, grande parte do tratamento em saúde mental esteve associada ao modelo manicomial, marcado pela institucionalização e desumanização dos pacientes. Somente após o avanço da Reforma Psiquiátrica brasileira houve uma transformação gradual na forma de assistência, priorizando abordagens mais humanizadas e centradas no indivíduo. Nos últimos anos, especialmente após a pandemia de COVID-19, a saúde mental passou a receber maior atenção devido ao aumento significativo dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais, evidenciando a necessidade de aprofundamento científico sobre o tema (INSTITUTO DE PSIQUIATRIA, 2024).
Os transtornos mentais caracterizam-se por alterações clinicamente significativas na cognição, regulação emocional e comportamento, abrangendo condições como depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e transtornos alimentares (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). Embora o diagnóstico dessas condições seja predominantemente clínico, exames de imagem vêm sendo utilizados como ferramentas complementares na compreensão das alterações cerebrais associadas a esses transtornos. Entre os principais métodos empregados destacam-se a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT), a eletroencefalografia (EEG), além da ressonância magnética (RM) e da ressonância magnética funcional (RMf), foco principal deste estudo (NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH, 2007; WHITTEN, 2012).
A ressonância magnética é um exame não invasivo que utiliza campos magnéticos e ondas de radiofrequência para produzir imagens detalhadas das estruturas internas do organismo, sem utilização de radiação ionizante. Na psiquiatria, a RM estrutural possibilita a identificação de alterações anatômicas cerebrais associadas aos transtornos mentais, como hiperintensidades de substância branca observadas em pacientes com esquizofrenia e transtornos afetivos. Embora esses achados não possuam valor diagnóstico isolado, estudos sugerem associação entre alterações estruturais mais severas e pior prognóstico clínico (ROCHA et al., 2001). Já a ressonância magnética funcional, desenvolvida no início da década de 1990, trouxe avanços significativos para o estudo das funções cerebrais ao permitir a visualização da atividade neural em diferentes regiões do cérebro durante tarefas específicas ou em estado de repouso (WHITTEN, 2012). Dessa forma, a RMf possibilita investigar padrões de conectividade e funcionamento cerebral relacionados aos transtornos psiquiátricos, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada de suas bases neurobiológicas (WHITTEN, 2012).
Embora ainda existam limitações quanto à utilização da neuroimagem como método diagnóstico definitivo, estudos demonstram que doenças mentais estão associadas a alterações estruturais e funcionais cerebrais (LU et al., 2024). Nesse contexto, a ressonância magnética apresenta-se como uma importante ferramenta auxiliar na psiquiatria, contribuindo para o avanço das pesquisas, ampliação do conhecimento científico e desenvolvimento de abordagens diagnósticas mais precisas e integradas.