VISÃO GERAL DOS PROTOCOLOS DE SEGURANÇA APLICADOS AO SERVIÇO DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

Zola Manuel Senguele Castelo
Orientador(a): Fabiano de Araújo Rezende
RESUMO

A ressonância magnética (RM) é uma modalidade de diagnóstico por imagem que, embora não utilize radiação ionizante, apresenta riscos específicos decorrentes dos campos magnéticos intensos, gradientes, radiofrequência e agentes de contraste utilizados. O presente trabalho tem por objetivo realizar uma visão geral dos protocolos de segurança aplicados aos serviços de RM, com ênfase na análise do protocolo institucional do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) e na comparação com normas nacionais e internacionais vigentes. A metodologia adotada é de natureza bibliográfica qualitativa e semi-investigativa, com análise de livros, artigos científicos, normas técnicas, protocolos institucionais e fontes jornalísticas verificadas. Os resultados evidenciam que os principais riscos em RM decorrem do efeito projétil, de interferências em implantes, do aquecimento tecidual por radiofrequência (SAR), do ruído acústico e do evento de quench. A análise do protocolo público do HC-UFTM (agosto de 2024) identificou lacunas relevantes em relação à Instrução Normativa ANVISA n 97/2021, especialmente a ausência de menção ao sistema de detecção de metais — exigido pelo Art. 9 da referida norma — e a ausência de protocolo de emergência. O estudo de casos documentados, incluindo acidentes internacionais com valores de indenização confirmados e o único acidente fatal em RM registrado no Brasil no período analisado (caso Novaes, São Paulo, 2023), demonstrou que os eventos adversos resultam invariavelmente da convergência entre falhas humanas, falhas de processo e ausência de tecnologia de suporte. Conclui-se que o fortalecimento da cultura de segurança, a triagem formal de pacientes e acompanhantes e a implantação de detectores ferromagnéticos são medidas prioritárias para a prevenção de acidentes em serviços de RM no Brasil.

Palavras-chave: Imageamento por Ressonância Magnética; Fatores de Risco; Triagem; Estudos de Casos e Controles; Fluxo de Trabalho
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INTRODUCAO

A ressonância magnética (RM) é uma modalidade de diagnóstico por imagem amplamente consolidada na prática clínica, caracterizada pela utilização de campos magnéticos intensos e radiofrequência para a obtenção de imagens detalhadas, sem o uso de radiação ionizante. Desde a sua introdução na década de 1980, a RM tornou-se essencial em diversas áreas da medicina, especialmente pela sua elevada capacidade de diferenciação de tecidos moles e versatilidade diagnóstica (Westbrook; Talbot, 2021).
No entanto, o ambiente de RM apresenta características únicas que o distinguem de outras modalidades de imagem, implicando riscos específicos que podem resultar em acidentes graves quando não há cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança (Mazzola et al., 2019). Nesse contexto, o âmbito deste trabalho centra-se na análise dos principais fatores de risco associados à ressonância magnética, incluindo riscos físicos, processos de triagem de pacientes, formação profissional, enquadramento regulatório e a análise de incidentes documentados.
A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade crescente de reforçar a cultura de segurança em ambientes de RM, tendo em vista o aumento da sua utilização e a complexidade tecnológica envolvida. A ocorrência de acidentes, embora relativamente rara, pode ter consequências severas para pacientes e profissionais, tornando imprescindível a adoção de práticas baseadas em evidências e normas internacionais. Vidotto, Chaim e Papoti (2023) concluíram, em estudo com profissionais brasileiros, que existe o desafio ainda maior de fazer com que as exigências sejam aplicadas e cumpridas.
Diante disso, este trabalho propõe-se a investigar os principais riscos associados à ressonância magnética e de que forma a implementação de protocolos de segurança, formação adequada dos profissionais e cumprimento das diretrizes regulatórias contribuem para a prevenção de acidentes nesse ambiente. Assim, pretende-se não apenas identificar os fatores de risco mais relevantes, mas também discutir estratégias eficazes para a mitigação de incidentes, promovendo um ambiente mais seguro e controlado na prática da ressonância magnética.

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METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa e abordagem semi-investigativa. O trabalho foi desenvolvido por meio da análise e interpretação de informações disponíveis em livros, artigos científicos, normas técnicas e fontes jornalísticas relacionadas à segurança em exames de ressonância magnética.
A pesquisa teve como objetivo identificar e descrever os principais tipos de acidentes associados ao ambiente de exames de RM, abordando suas causas, consequências e medidas de prevenção. Para isso, foram consultadas fontes nacionais e internacionais que tratam dos aspectos físicos, operacionais e de segurança envolvidos na utilização dessa modalidade diagnóstica.
A seleção do material bibliográfico foi realizada com base na relevância e na relação direta com o tema proposto, priorizando publicações que discutem eventos adversos, riscos ocupacionais e protocolos de segurança em ressonância magnética. As informações coletadas foram analisadas de forma descritiva, permitindo a apresentação de um panorama geral dos acidentes mais frequentemente relatados na literatura, sem a realização de coleta de dados ou investigação experimental. Dessa forma, o estudo busca reunir e sintetizar conhecimentos já publicados, contribuindo para a compreensão da importância das medidas de segurança e da prevenção de acidentes em serviços de ressonância magnética.

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RESULTADOS

1 RISCOS APRESENTADOS PELA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

 

Quando o corpo humano é submetido à RM, os prótons de hidrogênio presentes nos tecidos alinham-se ao campo magnético do equipamento. Pulsos de radiofrequência perturbam esse alinhamento e os prótons, ao retornarem ao estado original, emitem sinais captados e processados para a formação de imagens detalhadas (Nacif; Ferreira, 2011). A diferenciação dos tecidos baseia-se nos tempos de relaxamento T1 e T2 dos prótons, que variam conforme a composição e o ambiente molecular. Essa característica proporciona elevada resolução de contraste, tornando a RM especialmente eficaz na avaliação do sistema nervoso central, músculos, articulações e órgãos internos (Nacif; Ferreira, 2011).
Entretanto, os mesmos princípios físicos que possibilitam a obtenção dessas imagens também apresentam riscos específicos. O campo magnético estático, permanentemente ativo, pode interagir com objetos ferromagnéticos, causando o efeito projétil, em que objetos são atraídos para o interior do equipamento. Além disso, dispositivos implantáveis como marcapassos e próteses metálicas podem sofrer interferências que comprometem sua funcionalidade e a segurança do paciente (Nacif; Ferreira, 2011). Os gradientes de campo magnético podem induzir correntes elétricas no corpo, resultando em desconforto ou estimulação nervosa periférica. Os pulsos de radiofrequência, por sua vez, podem causar aquecimento tecidual, fenômeno quantificado pela Taxa de Absorção Específica (SAR, do inglês specific absorption rate), especialmente em exposições prolongadas ou em pacientes com implantes condutores (Westbrook; Talbot, 2021). Adicionalmente, a utilização de criogênicos, como o hélio líquido empregado no resfriamento dos magnetos supercondutores, introduz riscos relacionados a vazamentos e eventos de quench, que podem causar asfixia em ambientes inadequadamente ventilados. A RM apresenta um perfil de risco distinto de outras modalidades de imagem e, segundo Nacif e Ferreira (2011), seus riscos exigem infraestrutura adequada e protocolos de emergência bem definidos.

 

2 HISTÓRICO DE PROTOCOLOS

 

2.1 Revisão da literatura: protocolos existentes e respectiva base de evidência

 

A regulação da segurança em RM é heterogênea no Brasil. Organismos internacionais como o American College of Radiology (ACR), o Institute for Magnetic Resonance Safety, Education, and Research (IMRSER) e a Food and Drug Administration (FDA) estabelecem requisitos abrangentes, incluindo a nomeação de um Oficial de Segurança em RM e treinamento anual obrigatório. No Brasil, a principal norma vinculante é a Instrução Normativa ANVISA n 97, de 27 de maio de 2021, que revogou a IN 59/2019. Vidotto, Chaim e Papoti (2023) identificaram que, apesar da IN 97/2021 ampliar os requisitos nacionais, a conformidade dos serviços com a legislação ainda é parcial, especialmente em relação ao zonamento e ao treinamento de equipes.

 

Tabela 1 — Comparação de normas referentes à segurança na RM

Norma                                           Origem e data  Âmbito principal                                                                                          Status no Brasil
ACR Manual
on MR Safety
EUA
2024
Zonas I–IV, triagem, implantes, 
oficial de segurança, treinamento anual
Recomendado; sem caráter vinculante no Brasil
IEC 60601-2-33
(2022)
Internacional
2022
Segurança elétrica e performance do equipamento; 
limites de SAR e gradientes de campo magnético
Exigido para certificação de equipamentos importados (INMETRO/ANVISA)
NEMA MS 4
(2023)
EUA
2023
Medição de ruído acústico em equipamentos de RMReferencial técnico; sem obrigatoriedade direta no Brasil
ANVISA 
IN n 97/2021
Brasil
2021
Zonamento I–IV, detector de metais, qualidade, sinalização, monitoramento audiovisual, proteção auditivaObrigatória — vigente desde dezembro de 2021
ABNT NBR 
16499-3 (2023)
Brasil
2023
Avaliação de implantes não ativos: força e 
aquecimento em campo de RM
Norma técnica nacional disponível via ABNT Coleções
PADI — CBR 
(2024)
Brasil
2024
Acreditação em diagnóstico por imagem:
critérios de qualidade e segurança para serviços de RM
Obrigatório para serviços credenciados pelo CBR

Fonte: elaborado pelo autor com base em ANVISA (2021); ACR (2024); IEC (2022); NEMA (2023); ABNT (2023); CBR (2024).

2.2 Análise: lacunas, inconsistências ou riscos emergentes
 

    • Tanto o ACR quanto a ANVISA adotam o sistema de quatro zonas para organizar o acesso ao ambiente de RM conforme o nível de risco.
      a. Zona I — ambientes de livre acesso para os indivíduos do público.
      b. Zona II — ambientes externamente adjacentes à zona III, onde são realizados os procedimentos de acolhimento, anamnese e preparo do paciente e avaliação de compatibilidade de objetos.
      c. Zona III — ambientes adjacentes à zona IV onde há restrição à circulação de pessoas e equipamentos devido ao risco de ocorrência de eventos adversos causados pela interação de indivíduos ou objetos com os campos eletromagnéticos produzidos pelo equipamento.
      d. Zona IV — sala em que está localizado o equipamento de ressonância magnética nuclear.

O HC-UFTM, como serviço de saúde que opera sistema de ressonância magnética nuclear no Brasil, está sujeito às exigências da Instrução Normativa ANVISA n 97/2021, de caráter obrigatório e vigente desde dezembro de 2021. A análise do protocolo público disponível (HC-UFTM, ago/2024) revela, contudo, que o documento não referencia a IN 97/2021 e não contempla requisitos centrais por ela exigidos, como o sistema de detecção de metais nas Zonas III e IV (Art. 9) e os processos de trabalho definidos no Art. 10.

3 ESTUDO DE CASOS

 

3.1 Incidentes reais e falhas protocolares em serviços internacionais

 

A análise de casos internacionais documentados evidencia padrões recorrentes de falha protocolar em serviços de ressonância magnética, com consequências invariavelmente fatais, como evidenciado pela tabela 2. Em 2001, no Westchester Medical Center (Nova York, EUA), Michael Colombini, seis anos, foi atingido na cabeça por um cilindro de oxigênio metálico atraído pelo magneto durante exame sob sedação, vindo a óbito após 53 horas. As falhas identificadas envolveram uso de equipamentos não MR-safe, ausência de triagem de materiais e falha de comunicação com a equipe de anestesia. O caso foi encerrado em 2010 com acordo judicial de US$ 2,9 milhões (AuntMinnie, 2010; PSQH, 2011; Smith Chason College, 2025).

Em 2018, no Hospital Nair/BYL (Mumbai, Índia), Rajesh Maru, 32 anos, faleceu por trauma e asfixia após um funcionário conduzi-lo à sala do magneto ativo portando cilindro de oxigênio metálico, sob a informação falsa de que o equipamento estava desligado. Ausência de triagem do acompanhante e de controle de acesso foram as falhas centrais. O desfecho resultou em compensação estatal de 500.000 rúpias (~US$ 7.870) e prisão do médico e do funcionário envolvidos (Art. 304 do IPC) (Gulf News, 2018).

Em 2025, no Nassau Open MRI (Westbury, Nova York, EUA), Keith McAllister, 61 anos, entrou na sala portando corrente metálica de aproximadamente nove quilogramas, atraída pelo campo, provocando múltiplas paradas cardíacas e óbito no dia seguinte. O técnico não alertou o acompanhante e o magneto permanecia ativo. O processo judicial seguia em investigação até a conclusão deste trabalho, sem valor de indenização divulgado (CNN Brasil, 2025; The Hill, 2025; Smith Chason College, 2025). Os três casos compartilham origem comum: entrada de objeto ferromagnético na sala do equipamento por pessoa sem triagem formal, ausência de detector de metais e falha de comunicação entre os profissionais.

Conforme Nacif e Ferreira (2011), a maioria das lesões em ambientes de RM decorre do descumprimento de princípios de segurança, reforçando a necessidade de protocolos sistematizados e cultura institucional de segurança. Esses casos são utilizados na literatura brasileira de segurança em RM (Mazzola et al., 2019) como referências primárias para demonstrar as consequências das falhas protocolares.

 

Tabela 2 — Estudo de casos de acidentes em serviços de RM internacionais

Caso / LocalAno Mecanismo / ResultadoFalha protocolarCusto / Indenização
M. C., 6a, NY, EUA2001Cilindro de O₂ metálico; morte por trauma em 53 horasEquipamentos não MR-safe; falha de comunicação com equipe de anestesia; ausência de triagem de materiaisAcordo judicial: US$ 2,9 milhões pagos pelo hospital
R. M., 32a, Mumbai, Índia2018Cilindro de O₂ metálico; morte por trauma e asfixiaAusência de triagem do acompanhante; informação falsa de que a máquina estava desligada; sem controle de acessoCompensação estatal: 500.000 rúpias (~US$ 7.870); médico e funcionário presos (Art. 304 do IPC).
K. M., 61a, NY, EUA2025 Corrente de ~9 kg; múltiplas paradas cardíacas; morte no dia seguinteTécnico não alertou sobre metal; acompanhante sem triagem formal; magneto ativo durante o incidenteProcesso em investigação (jul/2025); valor não divulgado.

Fonte: elaborado pelo autor com base em AuntMinnie (2010); PSQH (2011); CBS News; Gulf News (2018); CNN Brasil (2025); The Hill (2025); Smith Chason College (2025).

3.2 Estudo de Caso Nacional: Acidente com arma de fogo em sala de ressonância magnética

 

Em janeiro de 2023, ocorreu um grave acidente em uma clínica de diagnóstico por imagem localizada na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo (SP), envolvendo o advogado Leandro Mathias Novaes, de 40 anos. O advogado acompanhava sua mãe durante a realização de um exame de ressonância magnética quando entrou na sala portando uma pistola calibre 9 mm. Durante o exame, o intenso campo magnético atraiu a arma de fogo, provocando um disparo acidental que atingiu seu abdômen. A vítima foi socorrida e permaneceu internada por aproximadamente 21 dias, porém evoluiu a óbito em decorrência das lesões sofridas.
Segundo informações divulgadas pela clínica e pela imprensa, o acompanhante havia assinado um termo de ciência sobre os riscos relacionados à presença de objetos metálicos na sala de ressonância magnética, mas não informou que portava uma arma de fogo. O caso evidenciou falhas em barreiras de segurança, como a ausência de detector de metais e a não identificação visual do armamento pela equipe antes da entrada na área restrita. O incidente ganhou ampla repercussão nacional e reforçou a importância da adoção de protocolos rigorosos de triagem e controle de acesso em ambientes de ressonância magnética, onde o forte campo magnético pode transformar objetos ferromagnéticos em projéteis de alto risco. O caso segue sendo discutido como exemplo da necessidade de aprimoramento das práticas de segurança em serviços de diagnóstico por imagem.

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DISCUSSAO

A avaliação dos protocolos de segurança, associada às evidências apresentadas na literatura e aos acidentes descritos ao longo deste estudo, permitiu identificar medidas capazes de mitigar riscos e corrigir vulnerabilidades frequentemente observadas em serviços de ressonância magnética. A análise comparativa entre as normas vigentes e as práticas documentadas evidencia que as falhas mais críticas são recorrentes e preveníveis, desde que haja comprometimento institucional com a implementação das diretrizes regulatórias.
A implantação de detector ferromagnético fixo (portal) nas zonas II e III constitui a medida de maior prioridade, por representar a lacuna crítica mais urgente identificada neste trabalho. A ausência desse dispositivo foi determinante no acidente fatal ocorrido em São Paulo em 2023, no qual um acompanhante introduziu uma arma de fogo na sala de RM sem que a equipe identificasse o objeto metálico antes da entrada na área restrita (Correio Braziliense, 2023; SPR Notícias, 2023). O Art. 9 da ANVISA IN 97/2021 torna a detecção de metais obrigatória nas zonas III e IV de todos os serviços de saúde que operam sistemas de RM no Brasil, tornando a ausência desse recurso uma não conformidade legal além de um risco operacional grave.
O treinamento adequado dos profissionais que interagem direta ou indiretamente com o ambiente de RM é outra medida fundamental. Isso inclui orientações sobre os riscos associados à introdução de objetos ferromagnéticos nas zonas III e IV, bem como a proibição expressa do uso de cilindros convencionais de oxigênio, que devem ser substituídos exclusivamente por sistemas MR-safe fornecidos pela instituição. Esse mecanismo foi responsável pelos dois acidentes internacionais mais emblemáticos: o caso Colombini, nos Estados Unidos, em 2001, e o caso Maru, na Índia, em 2018, ambos resultando em óbito por trauma e asfixia após a atração de cilindro metálico pelo magneto ativo (AuntMinnie, 2010; Gulf News, 2018).
A formalização da triagem do acompanhante representa uma lacuna estrutural nos protocolos analisados. O acompanhante deve responder ao mesmo questionário aplicado ao paciente, assinar documentação de ciência e ser submetido à verificação por detector ferromagnético antes de acessar as zonas III ou IV, conforme recomendação do ACR (2024) e do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR, 2023). Silva et al. (2024) concluíram que a triagem rigorosa e o treinamento contínuo são as práticas mais fundamentais para a prevenção de eventos adversos em RM, sendo o acompanhante não triado o fator presente em praticamente todos os acidentes fatais documentados na literatura.
A designação formal de um Oficial de Segurança em RM com atribuições documentadas, a disponibilização do questionário de triagem para consulta online prévia ao exame e o estabelecimento de treinamento anual obrigatório para toda a equipe que acessa as zonas III e IV — incluindo equipes externas de anestesia e manutenção — são medidas complementares que fortalecem o sistema de barreiras de segurança de forma sistêmica (ACR, 2024; Mazzola et al., 2019). Por fim, a inserção de protocolo de emergência padronizado, contemplando situações de quench, efeito projétil e parada cardiorrespiratória na zona IV, com identificação clara da localização do botão de emergência e do fluxo de evacuação, é indispensável para a resposta eficaz a eventos adversos graves e permanece ausente nos documentos públicos analisados do HC-UFTM.

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CONCLUSAO

Este trabalho evidenciou que os protocolos de segurança em ressonância magnética, embora crescentemente regulamentados no Brasil (especialmente com a ANVISA IN 97/2021), ainda apresentam lacunas significativas na implementação prática. A padronização de triagem tanto do paciente, quanto do acompanhante seriam uma forma efetiva de mitigar acidentes processuais em uma sala de RM.
Os estudos de caso demonstraram que os acidentes resultam da convergência de falhas humanas, falhas de processo e ausência de tecnologia de suporte. O único acidente fatal em RM confirmado no Brasil no período analisado — o caso do advogado Leandro Mathias Novaes (SP, 2023) — compartilha o mesmo mecanismo dos casos internacionais: acompanhante sem triagem adequada e ausência de detector de metais. 
Como contribuição para a área, este trabalho alerta, em formato acessível para o contexto do CEFORES/UFTM, o panorama regulatório, as lacunas comparativas e os casos reais de acidentes com desfechos verificados, propondo reflexão baseada em evidências para o futuro técnico que irá conduzir a execução dos mesmos exames em ambientes similares ao HC-UFTM e para o sistema de saúde brasileiro.

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REFERENCIAS

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