BIOSSEGURANÇA EM RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA VOLTADA À ODONTOPEDIATRIA

Ariadny Priscilla Santana Soares
Palavras-chave: biossegurança; radiologia odontológica; radioproteção; odontopediatria.
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INTRODUÇÃO

A biossegurança constitui um conjunto de ações voltadas à prevenção, controle e redução de riscos inerentes às atividades em saúde, sendo fundamental na proteção de pacientes, profissionais e do meio ambiente. No contexto da radiologia odontológica, esses riscos estão associados tanto à exposição à radiação ionizante quanto à possibilidade de contaminação cruzada durante a realização de exames.

De acordo com estudos na área, a biossegurança consiste no conjunto de ações voltadas para a prevenção, redução ou eliminação de riscos, o que reforça sua importância no ambiente radiológico (Diniz et al., 2009). Apesar de os exames radiográficos serem considerados procedimentos não invasivos, há risco de contaminação devido ao contato com saliva, equipamentos e superfícies contaminadas.

Além disso, a utilização da radiação ionizante exige cuidados rigorosos, uma vez que seus efeitos biológicos podem ser cumulativos e potencialmente danosos. Conforme descrito na literatura, a radiação ionizante possui potencial de causar alterações biológicas relevantes, incluindo efeitos somáticos e genéticos, decorrentes de danos ao DNA celular, podendo comprometer a integridade das células e resultar em mutações ou desenvolvimento de doenças (Moreira, 2011; ICRP, 2007).

Nesse cenário, destaca-se o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que estabelece que a exposição à radiação deve ser mantida no menor nível possível. Esse princípio baseia-se na premissa de que não existe dose totalmente segura, sendo necessário minimizar continuamente os riscos associados à exposição (ICRP, 2007).

Na odontopediatria, esses cuidados tornam-se ainda mais relevantes, visto que crianças apresentam maior sensibilidade aos efeitos biológicos da radiação ionizante e requerem atenção especial quanto às medidas de biossegurança. (ICRP, 2013).

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DESENVOLVIMENTO

A biossegurança constitui um conjunto de ações voltadas à prevenção, controle e redução dos riscos inerentes às atividades em saúde, sendo fundamental para a proteção de pacientes, profissionais e do meio ambiente. No contexto da radiologia odontológica, a biossegurança assume papel de destaque por envolver tanto a prevenção da contaminação cruzada quanto a proteção contra os efeitos da radiação ionizante. Dessa forma, sua aplicação não se limita ao uso de equipamentos de proteção, abrangendo também comportamentos, protocolos e práticas profissionais adequadas que garantam a segurança durante a realização dos exames radiográficos (AMARAL; MORAIS, 2021).

Segundo a literatura, a adoção de medidas de biossegurança está diretamente relacionada à qualidade da assistência prestada e à prevenção de acidentes ocupacionais. Nesse sentido, não basta a disponibilidade de equipamentos ou tecnologias de proteção, sendo indispensável que os profissionais possuam conhecimento técnico e adotem corretamente as medidas recomendadas. Além disso, a biossegurança também engloba a organização do ambiente de trabalho, a desinfecção de superfícies, o gerenciamento de resíduos e a implementação de protocolos capazes de minimizar os riscos à saúde pública (AMARAL; MORAIS, 2021).

Na radiologia odontológica, os riscos ocupacionais podem ser classificados principalmente em riscos biológicos e riscos físicos. Os riscos biológicos estão relacionados à exposição a microrganismos presentes na cavidade oral dos pacientes e em superfícies contaminadas. A cavidade bucal apresenta uma microbiota complexa, composta por diferentes espécies de bactérias, fungos e vírus, que podem ser transferidos para materiais utilizados durante os exames radiográficos. Dessa forma, filmes radiográficos, posicionadores, sensores digitais, aventais e superfícies dos equipamentos podem atuar como veículos de transmissão de microrganismos, favorecendo a ocorrência de contaminação cruzada (MOREIRA, 2011).

A contaminação cruzada representa um dos principais desafios relacionados à biossegurança em radiologia odontológica. Estudos demonstram que a transmissão de doenças infecciosas pode ocorrer quando materiais contaminados entram em contato com pacientes, profissionais ou superfícies que não foram adequadamente higienizadas. Nesse contexto, a utilização de barreiras de proteção, a desinfecção dos equipamentos, a higienização das mãos e a troca adequada de luvas constituem medidas essenciais para a prevenção da disseminação de agentes infecciosos (DINIZ et al., 2009).

Além dos riscos biológicos, a radiologia odontológica envolve riscos físicos decorrentes da exposição à radiação ionizante. Embora as doses empregadas em exames odontológicos sejam relativamente baixas, a exposição inadequada ou repetitiva pode aumentar a probabilidade de ocorrência de efeitos biológicos. De acordo com a International Commission on Radiological Protection (ICRP), a radiação pode causar efeitos determinísticos e estocásticos. Os efeitos determinísticos apresentam relação direta com a dose absorvida e manifestam-se apenas acima de determinados limiares de exposição. Já os efeitos estocásticos não apresentam dose limiar conhecida, estando associados à probabilidade de ocorrência de alterações celulares, mutações genéticas e desenvolvimento de neoplasias (ICRP, 2007; MOREIRA, 2011).

Diante desses riscos, a radioproteção torna-se um dos pilares fundamentais da biossegurança em radiologia. Seu principal objetivo é garantir que a exposição à radiação seja mantida em níveis tão baixos quanto razoavelmente exequíveis, sem comprometer a qualidade diagnóstica das imagens obtidas. Esse conceito é definido pelo princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), amplamente adotado internacionalmente como referência para a prática segura dos procedimentos radiológicos (ICRP, 2007).

O princípio ALARA estabelece que toda exposição à radiação deve ser devidamente justificada e otimizada, considerando que não existe dose completamente isenta de risco biológico. Dessa forma, medidas como a redução do tempo de exposição, o posicionamento adequado do paciente, o aumento da distância da fonte emissora e a utilização de barreiras de proteção contribuem significativamente para a diminuição da dose recebida por pacientes e profissionais. Além disso, o controle de qualidade dos equipamentos e a prevenção de falhas técnicas reduzem a necessidade de repetição de exames, evitando exposições desnecessárias à radiação (ICRP, 2007).

Entre os recursos utilizados para proteção radiológica destacam-se os equipamentos de proteção individual. Luvas, máscaras, óculos de proteção, aventais plumbíferos e protetores de tireoide constituem medidas indispensáveis para a redução dos riscos físicos e biológicos presentes nos procedimentos radiográficos. A literatura demonstra, entretanto, que embora a importância desses equipamentos seja amplamente reconhecida, sua utilização nem sempre ocorre de forma completa e adequada, evidenciando a necessidade de reforço das ações educativas e de capacitação profissional (GREPPI; CESAR, 2002).

No contexto da odontopediatria, a biossegurança assume importância ainda maior. Pacientes pediátricos apresentam características que exigem atenção diferenciada durante a realização dos exames radiográficos. Crianças possuem maior radiossensibilidade quando comparadas aos adultos, uma vez que seus tecidos encontram-se em intenso processo de crescimento e desenvolvimento celular. Além disso, apresentam maior expectativa de vida, aumentando o período durante o qual os efeitos estocásticos da radiação podem se manifestar (ICRP, 2013).

Outro fator relevante refere-se às dificuldades comportamentais frequentemente observadas em pacientes pediátricos. A ansiedade, o medo e a dificuldade de colaboração podem comprometer o correto posicionamento durante o exame, favorecendo falhas técnicas e aumentando a necessidade de repetição das imagens radiográficas. Consequentemente, torna-se fundamental que os profissionais estejam preparados para conduzir os procedimentos de forma segura, utilizando técnicas adequadas de comunicação, posicionamento e proteção radiológica (ICRP, 2013).

Dessa forma, os estudos analisados evidenciam que a biossegurança em radiologia odontológica deve ser compreendida como um conjunto integrado de medidas voltadas à proteção radiológica, ao controle de infecção e à prevenção de acidentes ocupacionais. A adoção adequada dessas práticas contribui para a obtenção de exames com qualidade diagnóstica, reduzindo riscos e promovendo maior segurança para pacientes e profissionais, especialmente no atendimento odontopediátrico.

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METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa, desenvolvida com o objetivo de analisar a biossegurança na radiologia odontológica voltada à odontopediatria. Para a elaboração do trabalho, foram consultados artigos científicos, monografias, trabalhos acadêmicos e documentos técnicos relacionados à biossegurança, radioproteção e controle de infecção em radiologia odontológica.

As buscas foram realizadas em bases de dados e repositórios eletrônicos, utilizando descritores como "biossegurança", "radiologia odontológica", "odontopediatria", "radioproteção", "controle de infecção", "equipamentos de proteção individual" e "contaminação cruzada".

Foram incluídos estudos que apresentassem relação direta com a temática proposta, abordando aspectos relacionados à radioproteção, ao controle de infecção, ao uso de EPIs e às medidas de biossegurança aplicadas à odontopediatria. Também foram consideradas as recomendações da International Commission on Radiological Protection (ICRP), devido à sua relevância para a proteção radiológica.

Após a seleção dos materiais, realizou-se a leitura, análise e interpretação das informações obtidas, permitindo identificar os principais riscos associados aos procedimentos radiográficos e as medidas preventivas recomendadas para a proteção de pacientes e profissionais.

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RESULTADOS

Os estudos analisados demonstram que a biossegurança constitui um elemento fundamental para a proteção de pacientes e profissionais na radiologia odontológica. Embora a maioria dos acadêmicos e profissionais reconheça a importância das medidas de biossegurança, a literatura aponta que sua aplicação prática ainda apresenta falhas significativas, especialmente em relação ao cumprimento dos protocolos de controle de infecção e radioproteção.

Em pesquisa realizada com acadêmicos da área odontológica, observou-se elevado nível de preocupação com a biossegurança; entretanto, parte dos participantes apresentou conhecimento insuficiente sobre procedimentos básicos de prevenção e controle de riscos. Esse resultado evidencia uma lacuna entre o conhecimento teórico e sua efetiva aplicação na prática clínica, reforçando a necessidade de capacitação contínua dos profissionais.

Outro aspecto frequentemente relatado nos estudos refere-se à utilização inadequada dos equipamentos de proteção individual (EPIs). Apesar do reconhecimento de sua importância, a adesão ao uso completo dos equipamentos ainda não ocorre de forma satisfatória. O uso correto de luvas, máscaras, aventais plumbíferos e protetores de tireoide é indispensável para reduzir os riscos biológicos e físicos presentes nos procedimentos radiográficos.

A literatura também destaca a importância do controle da exposição à radiação ionizante. Falhas técnicas, erros de posicionamento e movimentação do paciente podem resultar na repetição dos exames radiográficos, aumentando desnecessariamente a dose de radiação recebida. Tal situação contraria o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que preconiza que toda exposição deve ser mantida no menor nível razoavelmente possível.

Além dos riscos físicos associados à radiação, os riscos biológicos merecem atenção especial. A cavidade oral apresenta uma microbiota complexa, e materiais como filmes radiográficos, posicionadores e superfícies dos equipamentos podem atuar como veículos de contaminação cruzada quando os protocolos de biossegurança não são adequadamente seguidos. Dessa forma, a desinfecção de superfícies, a utilização de barreiras de proteção e a correta higienização das mãos são medidas essenciais para a prevenção de infecções.

Na odontopediatria, esses desafios tornam-se ainda mais relevantes. Crianças apresentam maior sensibilidade aos efeitos biológicos da radiação ionizante, exigindo atenção redobrada quanto à justificativa dos exames, à otimização das doses e ao uso de medidas de proteção radiológica. Além disso, a menor colaboração durante os procedimentos pode favorecer erros técnicos e a necessidade de repetição das radiografias, reforçando a importância da capacitação profissional e da adoção rigorosa das normas de biossegurança.

Diante dos achados da literatura, observa-se que a efetividade da biossegurança na radiologia odontológica depende não apenas da disponibilidade de equipamentos e protocolos, mas também do comprometimento dos profissionais com a aplicação correta das medidas de prevenção, garantindo maior segurança para pacientes e equipes de saúde.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A biossegurança na radiologia odontológica constitui um conjunto de medidas indispensáveis para a proteção de pacientes e profissionais, contribuindo para a redução dos riscos biológicos e físicos presentes durante a realização dos exames radiográficos. Por meio da revisão bibliográfica realizada, foi possível verificar que a adoção adequada das práticas de biossegurança desempenha papel fundamental na prevenção da contaminação cruzada e na minimização da exposição à radiação ionizante.

Os estudos analisados evidenciaram que, embora exista conhecimento teórico sobre o tema, ainda são observadas falhas na aplicação prática das medidas de proteção, especialmente em relação ao uso adequado dos equipamentos de proteção individual, ao cumprimento dos protocolos de controle de infecção e à prevenção da repetição desnecessária de exames radiográficos.

No contexto da odontopediatria, a atenção à biossegurança torna-se ainda mais relevante, uma vez que crianças apresentam maior sensibilidade aos efeitos biológicos da radiação e demandam cuidados específicos durante a realização dos procedimentos. Dessa forma, a adoção de práticas seguras contribui para a obtenção de exames de qualidade diagnóstica com menor risco para os pacientes.

Conclui-se que a radioproteção deve ser rigorosamente aplicada, que o princípio ALARA deve nortear todos os procedimentos radiográficos, que o uso dos EPIs deve ocorrer de forma completa e adequada e que os protocolos de controle de infecção precisam ser seguidos de maneira padronizada. Além disso, destaca-se a importância da formação acadêmica e da educação continuada dos profissionais, visando fortalecer a cultura de biossegurança e promover uma assistência cada vez mais segura e eficiente.

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REFERÊNCIAS

AMARAL, G. S.; MORAIS, A. M. D. A importância da biossegurança na radiologia odontológica. Revista JNT – Facit Business and Technology Journal, Araguaína, TO, 2021. Disponível em: https://revistas.faculdadefacit.edu.br.

DINIZ, D. N. et al. Avaliação do conhecimento sobre biossegurança e proteção radiológica entre acadêmicos e profissionais da odontologia. Arquivos de Ciências da Saúde, São José do Rio Preto, v. 16, n. 4, p. 166-170, out./dez. 2010.

GREPPI, F. S.; CESAR, M. F. Utilização de equipamentos de proteção individual em odontopediatria. Revista Biociências, Taubaté, v. 8, n. 2, p. 31-38, 2002.

INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIOLOGICAL PROTECTION (ICRP). The 2007 Recommendations of the International Commission on Radiological Protection. ICRP Publication 103. Oxford: Elsevier, 2007.

INTERNATIONAL COMMISSION ON RADIOLOGICAL PROTECTION (ICRP). Radiological Protection in Paediatric Diagnostic and Interventional Radiology. ICRP Publication 121. Oxford: Elsevier, 2013.

MOREIRA, D. S. Biossegurança em radiologia odontológica. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) – Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

 

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